Corredora Amadora ou Advogada do Asfalto?

Em uma das corridas da vida – mais precisamente na Adidas Boost Rio 2015 – eu estou em uma fila, feliz da vida para correr meu tão sonhado 1km. Olho para trás e vejo uma corredora ‘miudiiiiinha’, mas com um perfil daqueles que você pensa: “Essa menina deve correr absurdos, só pelo porte dela”. Não resisti e comecei a conversar com ela e no meio da conversa questiono: “O que estamos fazendo na mesma fila?”. stefanieTudo porque no bate papo eu me dou conta que estou conversando com o 4º lugar do hanking geral 10+5 da Boost Rio! Conversa vai e vem e vejo que ela é mais uma das atletas amadoras da vida, como tantas outras, mas com um talento especial nos pés. Ela é a prova viva de que não é necessário ter pernas longas para correr tempos invejáveis! Fiquei tanto com a história dela na cabeça que deu vontade de divulgar o quanto ‘pessoas comuns’ têm o poder de mudar suas próprias vidas e ainda por cima, inspirar outras. Toda vez que eu vejo uma foto dela eu tenho vontade de, literalmente, sair correndo!

… e aí vai, Stefanie Rodrigues por Stefanie Rodrigues.

“Metade de mim é corrida e a outra metade…

Gostaria de poder completar o título, inspirado na música “Metade” de Oswaldo Montenegro, com a palavra ‘também’, usada originariamente na canção, mas essa não é a minha realidade. A minha outra metade é advogada tributarista, trabalha de salto alto no mínimo 8 horas por dia no Centro do RJ, pega ônibus e barca, arruma casa, faz mercado, lava roupa, cozinha, e faz malabarismos para conciliar essa rotina com os treinos e provas de corrida (e ‘otras cositas mas’ como vou falar mais pra frente).

Adentrei-me no mundo maravilhoso da corrida de rua pela porta dos 21 quilômetros em abril de 2014, na Golden Four Asics – RJ. É… minha primeira prova foi uma meia maratona, apenas 8 meses depois de dar adeus ao sedentarismo que durou 6 longos anos. E o resultado me surpreendeu. Fechei a prova em 1h40min, sem nenhum treinamento e/ou orientação específica e sem nunca ter corrido 21k, nem em treinos.

Ainda em 2014, fiz mais 2 meias maratonas e algumas poucas provas de 10km e 16km, alcançando bons resultados, pódios gerais e na categoria, ainda sem acompanhamento profissional. Já em 2015, fiz a primeira alteração significativa na minha vida para viabilizar a prática da corrida.

A casa dos meus pais é bem distante do local onde trabalho, e por isso não dava tempo de treinar pela manhã, daí tinha que fazer tudo à noite e chegava em casa lá pra 00:00 tendo que acordar 05:00 da matina para ir trabalhar. Comecei a sentir um cansaço enorme, uma irritação sem fim e muitas dores musculares, jamais presentes até então. Diante dessa situação, decidi “cortar o cordão umbilical” e me mudar para um local mais próximo do trabalho, o que me permitiu correr pela manhã antes de ir trabalhar, e ter um pouco mais de tempo de descanso.

… e foi  em 2015 que o corre corre ficou mais sério. Desde março conto com o treinamento do Rafael Vianna, da assessoria de corrida Rafinha Running, e o que antes era só dar uma corrida, virou treino, com planilhas, objetivos e metas definidos, sem esquecer da diversão, claro.

A superação de recordes pessoais, a evolução de rendimento e os pódios recorrentes em tão pouco tempo de orientação despertaram em mim um espírito que, não desenvolvido na infância e na adolescência por falta de incentivo familiar, aflorou com tudo às portas dos 30 anos. Falo do espírito de atleta, aliás, pseudo atleta, já que sou gente normal e não vivo do esporte. Deu-se início então a um processo natural de comprometimento com a corrida, que se converteu em disciplina, a organização e abdicação, necessários para administrar o binômio “pseudo atleta/gente normal”. Porque não é só sair pra correr e pronto, evolução garantida. Tem a corrida, tem a alimentação, tem a suplementação, tem o descanso e o sono, tem o fortalecimento e as atividades complementares, tem o alongamento, a prevenção de lesões e o relaxamento muscular que os treinos exigem, e mais um monte de coisinhas que contribuem para a melhoria no desempenho e para uma prática saudável do esporte que, caros corredores, tomam tempo, sem falar da organização.

Ahh o tempo, como gostaria de tê-lo à disposição para me desenvolver no esporte. Acordo entre 4 e 5 da manhã e durmo entre 21:30 e 23:00 todos os dias. Minhas atividades semanais variam entre corrida (4-5x), natação (3-4x), bike indoor (3-4x), e musculação (5-6x). Chego dos treinos matinais e tenho cerca de 15 minutos para me arrumar e partir pra labuta, ou seja, corrrerrriaa total!!! Quintas feiras são os dias em que mais sinto o peso da rotina dividida, pois é nesse dia da semana que faço os famigerados treinos intervalados, que são o ápice da intensidade e deveriam ser seguidos de descanso e relaxamento muscular, mas que no meu caso são seguidos de salto alto, transporte público e 8 horas de trabalho…

Stefanie (2)

E tá achando que fim de semana tem moleza? Não, não. Além de ser o tempo que tenho para cuidar da casa (leia-se: faxinar, fazer mercado, cozinhar as marmitas da semana, colocar roupas para lavar, etc), ver amigos e família, ainda arrumo tempo para: treino de corrida sábado de manhã, normalmente seguido de bike indoor e musculação, e longo de corrida no domingo seguido, sempre que dá, natação no mar e/ou em piscina.

Aí vocês devem estar se perguntando, mas natação, bike indoor, que isso que isso? Você não é corredora, menina?! Deixe-me explicar.

Stefanie (3)Sempre gostei de pedalar, e a bike indoor veio como atividade complementar à corrida, e eu adoro. Já a natação entrou na minha vida esse ano, também na intenção de dar um up na corrida, e tem ganhado cada vez mais espaço. Tanto que participei de uma prova de 1,5km no mar (X Terra Mangaratiba), um biathlon (Rei e Rainha do Mar) e um aquathlon (Campeonato Estadual FTERJ) no segundo semestre de 2015, partindo para mais uma prova de natação e um biathlon na última etapa do Rei e Rainha do Mar no Rio de Janeiro em dezembro, e com planos de estar em todas as etapas do aquathlon e do RRM em 2016.

Não satisfeita com a doideira da vida dupla, estou me encaminhando para uma vida tripla (quadrupla, na verdade, mas aí se perde a licença poética rs). Sem pressa ou prazo determinado, pretendo futuramente me dedicar ao triathlon, assim que alcançar algumas metas na corrida e conseguir ajustar a rotina e condições de investimento à prática da modalidade… mas a corrida foi, é, e sempre será, a menina dos meus olhos, dona do meu coração e das minhas pernas. Foi ela que me tirou do sofá, das noitadas e das mesas de bar, e me levou às ruas, trilhas, areias e pistas, me dando mais qualidade de vida e bem-estar, auto estima e confiança, alegrias e conquistas. Graças à corrida acordo todos os dias na hora em que ia dormir e durmo na hora em que saía de casa. É ela que faz meu coração bater forte, me fazendo sentir plenamente viva e capaz de tudo. A este esporte serei eternamente grata por ter mudado a minha vida, e não há rotina sacrificante o suficiente para retribuir tanto bem. Porque na verdade, fazer o que se ama, jamais será um sacrifício. ”

Stefanie, prazer em conhecê-la. Estou muito feliz por publicar sua história aqui. Obrigada, muito obrigada pela inspiração, advogada do asfalto!

Por mais pessoas e histórias assim.

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Alessandra Leleka, @leleka_acao

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